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Sunday, 12 September 2010

Chapter XXVIII - And so it ends...

E é com grande tristeza que escrevo este último post, já no aeroporto, enquanto espero pelo avião de regresso a Lisboa. Raio do tempo só passa depressa quando não deve…

Com o cú quadrado das 11 horas de comboio Rovaniemi – Helsinki, esperava-me um longo dia pela frente. Desci em Pasila e apanhei um comboio suburbano até Leppävaara. Com uma chuva ligeira mas bastante agradável, e com um donut de chocolate e cardamomo, dirigi-me pela última vez à residência. Com cuidado para não acordar os dorminhocos, arranjei a tralha toda, tomei um prolongado duche e abanquei-me no sofá a ver televisão, dado a internet não funcionar e ainda estar tudo a dormir. Por fim lá acordaram, ansiosos por ver as fotos e ouvir o relato do passeio pela Lapónia. Distribuídos os abraços a toda a gente, e tirada a foto de grupo da praxe, lá segui carregado que nem um camelo para Helsinki. E quando digo carregado, digo mesmo: mochila grande às costas, mochila pequena ao peito, mala do pc a tiracolo, mala das facas numa mão e uma outra mala de viagem com roupas na outra. Não faço ideia do peso, daqui a bocado quando fizer o check-in já descubro.

Chegando à Rautatientori, onde me encontrei com o Marko, gastei as minhas últimas moedas num cacifo onde deixei a panóplia toda. Após o almoço, na minha última ida ao Hesburger, fui fazer - imagine-se! – de guia turistico! Eu, um alentejano que aqui viveu dois meses e picos, a mostrar a cidade de Helsinki a um finlandês que caminha este mundo há 28 anos! Fizemos o percurso Rautatientori – Senantintori – Kauppatori – Kauppahalli – Esplanadi – Mannerheimintie – Stockmann. Após mais um encontro com um grupo de portugueses e a compra de 1kg de carne de rena num talho já a fechar, fomos ter com um outro grupo de portuguesas.

A Kiki, uma rapariga que andou comigo na escola até ao 9º ano, chegou esta semana a Helsinki, onde estará em Erasmus até Janeiro. Sete raparigas num dos maiores centros comerciais de HKI é aquilo que já se sabe, de maneiras que fui acompanhar o Marko até à estação de comboios para me despedir dele. Mais tarde voltei a encontrar-me com elas, no pânico que era fazer compras num LIDL atulhado de gente. Carregadas que nem camelas, seguimos até Kannelmäki, onde fiquei a conhecer as residências onde estão a viver. E quase que ficava a conhecer o corpinho jeitoso de uma moça cuja nacionalidade desconheço, com quem elas partilham casa, mas a toalha manteve-se segura ao corpo dela e lá se lembrou que estava gente lá em casa e fechou a porta do quarto antes de se vestir… Perkele…

Após uns conselhos de desenrascanço sobre Helsinki e o Suomi, bem como uma aula de culinária onde ensinei como se preparam e se comem noodles instantâneos, pus-me novamente a caminho do centro da cidade. Sábado à noite num bairro daqueles significa muitos finlandeses e outros povos a fazer algo que sabem muito bem: beber. MUITO! No comboio ia uma mulher aos berros ao telefone, bastante bebeda por sinal. Não percebi totalmente a conversa, como é óbvio, mas os risos que arrancou a toda a gente no comboio e os constantes “Perkele! Voi vittu! VITTUTTA!” foram suficientes para perceber a cena e descarregar umas gargalhadas escondidas pelo revirar de olhos.

Lá fui ao cacifo recuperar os meus bens, e novamente carregado que nem um camelo, arrastei a minha carcaça pelo hall central da estação, até à paragem do autocarro. Desta vez fui esperto e poupei 6€. Quando cheguei, só vi o charter-bus da Finnair, que por esses mesmos 6€ conduz o inexperiente turista até ao centro da cidade em 20min. Pois os autocarros da HSL, nomeadamente o 615 e o 620, fazem o mesmo serviço em 35min e o meu passe é válido para as zonas em questão.

Mas claro que eu tinha de ter mais trabalho do que o suposto. Somehow meti na cabeça que era Terminal 2, e deixei-me seguir até ao dito. Quando lá cheguei, novamente a arrastar-me escadas acima, olhei bem para o quadro de partidas… apenas vôos intercontinentais. Perkele… Ao descer as escadas encontrei a salvação para as minhas costas: um simpático trolley, facilmente manobrável, nada como os do Scandic que constantemente encalhava ou derrubava. Com a tralha toda à molhada, lá segui até ao Terminal 1. Após verificar que os check-in ainda estavam todos fechados pois eram 00h e o vôo é só às 5.45h, procurei uma tomada e abanquei-me aqui a escrever os últimos dois posts do blog, ouvindo o true sound of Finland: Shaman & Korpiklaani.

Infelizmente não consigo apanhar internet, a suposta rede wireless não funciona, por isso faço o que aprendi no Scandic: deixo tudo preparado e amanhã sirvo aos clientes. E durante o próximo mês irei preparar o banquete que vos irei servir brevemente: um livro sobre a minha viagem por aqui, com muitos extras que nunca foram mencionados no blog. Aguardem novidades!

São neste momento 2.08h do dia 12 de Setembro de 2010, e é quase de lágrima no olho que me despeço dos melhores tempos da minha vida. Mas que fique claro: I’ll be back!

Näkemin ja kiitos paljon kaikille!

Chapter XXVII - Lappi

Após uma semana de férias AFK, deixo aqui um pequeno resumo do passeio pela Lapónia. Como prometido, será apenas um trailer. Não revelo grandes detalhes, não conto tudo o que fiz e muito menos vêm as fotos ;)

No passado dia 5 de Setembro arrumei a tralha, despedi-me das minhas meninas alemãs e italianas e segui para Helsinki com pouco mais do que a roupa que tinha no corpo, a carteira e a inseparável máquina fotográfica.

Enquanto fazia tempo para o comboio, diverti-me a passear de eléctrico. Uma maneira barata e confortável de ver grande parte da cidade. Também dei um passeio de metro até Vuosaari, com paragem em Itäkeskus no retorno ao centro. Por fim, umas voltinhas pelo Hakaniemi e pelo Kaisaniemi.

Eis que chega então um enorme comboio, denominado Santa Claus Express… Preparem-se, pois praqueles lados, everything is Santa Claus!

A morosa viagem de cerca de 11 horas foi passada a rebolar dum lado pro outro dormindo nas posições mais estranhas que possam imaginar, qual contorcionista ou praticante de yoga. Quando a fome apertou, tratei de a saciar com umas delíciosas almôndegas que vendiam no vagão restaurante/bar.

E finalmente cheguei a Rovaniemi, capital da Lapónia, uma pequena cidade localizada a poucos kilómetros do Círculo Polar Árctico, onde se dá a junção dos rios Kemijoki e Ounasjoki.

Como o alojamento mais barato que tinha consigo encontrar custava a módica quantia de 40€ SEM PEQUENO ALMOÇO, estava decidido a abancar pelas ruas e a dormir ao relento. No entanto, o meu destino foi outro. Ao sair da estação, abordei uma rapariga a fim de obter algumas direcções por ali. Fomos andando, conversando, e quando lhe disse que iria dormir pelas ruas, ela propos-me partilhar o sofá do apartamento dela com dois gatos. E assim fiz, logo eu que não gosto nada de gatos…

Como os transportes por ali são ainda mais caros que em Helsinki e são bastante escassos, tipo um autocarro por hora, a solução mais óbvia que encontrei foi a de alugar uma bicicleta para a semana inteira. Um par de rodas que me deu total mobilidade, bem como a liberdade de explorar toda a cidade e arredores.

Após uma visita breve ao posto de turismo, comecei a pedalar pela primeira vez em cerca de 2 anos. E pedalando encosta acima, cheguei à aldeia do Pai Natal, localizada precisamente no Círculo Polar Árctico. Nunca na vida pensei chegar a estas latitudes, mas certamente quero lá voltar. E o que é que eu fiz por ali? Ora pois claro, após uma dúzia de kilómetros pedalados, tinha que ir conhecer o velhote barbudo… Quem diria, a pessoa mais anti-natalícia que conheço foi visitar o tí Nicolau, esteve de conversa com ele e ainda tirou uma fotografia como prova!

Após me ter sida impingida a dita fotografia pela módica quantia de 25€, e já farto de ouvir as mesmas christmas carols que continuavam a tocar, segui para visitar outros pontos de interesse na Santa’s village: Santa’s Post Office, Husky Park, e um museu a céu aberto recriando habitações tradicionais Saami. Infelizmente de tudo o que eu queria ver só o posto dos correios estava aberto. Todas as cartas endereçadas ao Pai Natal vão parar ali, mesmo aquelas que escrevem por brincadeira.

Finda a visita por ali, toca a descer a colina em direcção a Rovaniemi. Os caminhos para ciclistas são uma maravilha, e a sensação de levar com o ar fresco na cara enquanto se observa a taiga é indescritível.

Como a descer todos os santos ajudam (insert Santa pun joke here), num instante estava de volta à cidade. Segui para sul, sempre maravilhado com a paisagem, até à Lapin Yliopisto – Universidade da Lapónia, o polo universitário mais a norte que existe no mundo. Aí me encontrei com a Riikka e seguimos para o apartamento dela, a poucos metros da universidade. Foi então que conheci os meus room mates: Vetti e Lenni. Um era gordo e branco, o outro era mais pequenino e preto; ambos eram extremamente fofos e mimosos. Ao anoitecer fomos a casa de umas amigas delas, a uma pseudo festa.

No dia seguinte, com as pernas doridas da bicicleta, passei grande parte do dia no Artikum. Trata-se de um museu sobre o Árctico que combina História, Ciência e Arte, de forma extremamente interessante e organizada. Almocei um kebab no Rocktaurant dos Lordi e passei o resto do dia em petiscos. Nesse dia festejava-se o 150º aniversário da Rovaniemen Kirjasto (biblioteca), e lá tinhamos café, sumo de morango, e um maravilhoso bolo de frutos vermelhos, lakka e chantilly. Além disso, mesmo ali ao lado, na Kaupunkitalo (Câmara Municipal), dava-se um evento de recepção aos estudantes estrangeiros. Infiltrei-me por lá, com direito a uma tarte/pizza de rena, uns bolinhos e mais café à pála. Após encher o bandulho, recebi uma mensagem da Riikka a convidar-me para um picnic à beira rio com os amigos dela, e lá fomos nós. Após o picnic, consegui deixar toda a gente interessada no bolo gratuito na biblioteca, e fomos todos para lá. Claro que eu tinha de emborcar mais um(as) fatia(s).

Quarta feira foi dia de pedalar a sério novamente. Segui mais uma vez para o Círculo Polar Árctico, mas desta vez passei primeiro no posto de turismo para me certificar que as coisas que eu queria ver estavam abertas. Comecei pelo Husky Park, onde estive rodeado por cerca de 60 huskies fofinhos e dois samoyedos ainda mais fofinhos. As donas do recinto foram bastante simpáticas, além de não me terem pedido os supostos 6€ pela entrada, ainda me ofereceram grilliimakarat e café. Após o petisco, e com vontade de trazer a bicharada toda comigo, lá fui ver as construções Saami e desci a Rovaniemi para o descanso do dia.

O dia começou um pouco mais cedo que o usual na quinta feira. Recebi um telefonema do posto de turismo pelas 9 da manhã, a confirmar que a quinta de criação de renas que eu queria visitar estava aberta a partir das 11h. Papei uns donuts e meti-me a caminho. Claro que o sitio tinha de ser a 12kms de casa e ladeira acima…

Com os bofes de fora, lá cheguei ao local. Conheci o dono da quinta e algumas das renas. São bastante fofinhas e sociáveis, ao ponto de virem comer à mão, mas não são bichos que primam pela inteligência… De acordo com o criador, por muito que se tente, elas nunca se habituam a responder pelo nome que se lhes dá; além de poder levar 3 a 5 anos até que elas aprendam a puxar um trenó. Após a chávena de café com bolinhos da praxe, regressei a Rovaniemi. Desta vez fui explorar a margem sudeste do rio, onde além do relaxante passeio pela floresta, pude visitar o Rovaniemin Museo e o Metsämuseo. O primeiro tratava-se de um pequeno museu etnográfico, retratando a vida numa pequena propriedade agrícola do séc. XIX, cujos edifícios ainda eram os originais, bem como a familia que a mantinha. O segundo era mais um museu a céu aberto sobre a vida dos lenhadores na Lapónia, com muitas casas recuperadas e alguns objectos que remontavam aos finais do séc. XIX e primeira metade do séc. XX. Estava tão entusiasmado que me esqueci de tirar fotos a estes dois museus, paciência…

E aproximava-se a hora de ir embora… fiz umas comprinhas durante a tarde, e preparei uma pequena surpresa para a Riikka. Como agradecimento por me ter recebido, arranjei uma garrafa de vinho do Porto (não encontrei vinho alentejano…), duas latinhas de comida XPTO para o Lenni e o Vetti, e um postal. Após nos encontrarmos, despedi-me dos miaus e seguimos para a house warming party de um amigo dela, onde me despedi do pessoal com uma enorme esperança de ali voltar brevemente.

Mais 11 horas de comboio, com direito a almôndegas e a costas tortas, e regressei a Helsinki.

Se já tinha ficado encantado com a Finlândia desde que aqui meti os pés, a Lapónia deixou-me ainda mais maravilhado. O ar fresco, a fusão de verde e castanho da taiga, as fortes águas dos rios, a maneira como fui recebido por todos e em todos os locais… Não tenho palavras.

Sunday, 5 September 2010

Chapter XXVI - Hei hei Jääskelantie!

Dentro de meia dúzia de horas estou a caminho do Árctico. Não vou ter o computador comigo durante esta semana, por isso apenas estarei contactável por telemovel.

Ontem dei um grande passeio por Helsinki: Kansallismuseo, Suomenlinna e Korkeasaari. Tirei cerca de 90 fotos, algumas delas estão online no meu Facebook para quem quiser ver. Não tenho muito tempo para escrever no blog sobre o passeio, por isso terão que aguardar uns dias.

Já tenho as malas feitas, só me falta arrumar o pc... Daqui a bocado vou almoçar e depois despedir-me dos meus roomies. Próximo sábado de manhãzinha estarei de volta a Helsinki. E com muita tristeza, à noite regresso a Lisboa...

Mas agora, Läppi!

Friday, 20 August 2010

Chapter XXII - Só para dar sinais de vida...

Não me batam, vá... Após quase duas semanas sem dar notícias, resolvi vir aqui escrever qualquer coisa. O motivo da minha ausência/falta de paciência/preguiça para escrever tem sido os dias e horas extra de trabalho. Que ainda se tornam mais difíceis com 1200 pessoas no hotel...

Este esforço irá durar mais duas semanas e após isso, termino o estágio e vou de férias para Rovaniemi, capital da Lapónia localizada no Círculo Polar Árctico. Já andei a ver uns sites e na lista de sítios a visitar, estão um museu de antropologia e cultura Sami, uma quinta de criação de renas, um outro sitio de criação de huskies, um jardim zoológico só com animais polares e muito passeio pelas florestas, em retiro espiritual, para me preparar para regressar a baixas latitudes dia 11. Vai-me custar TANTO ter que voltar... bah!

As ondas de calor já andam a acalmar. Apesar de durante o dia ainda chegar aos 30 e tais graus, durante a noite já arrefece bastante. Hoje quando sai de casa às 6.35h estavam uns adoráveis 7ºC, temperatura ideal para pessoas que detestam o calor como eu. E segundo o Jari, em Rovaniemi sou capaz de apanhar neve, gelo e temperaturas negativas. Se eu não voltar, virei boneco de neve algures lá pra cima.

Segunda feira vão chegar novos estudantes aqui à residência, três alemães e três italianos. Isto significa ter que arrumar a casa, recolhendo todas as minhas propriedades espalhadas e juntá-las num só sitio, arrumar o frigorífico e os armários da cozinha para eles terem espaço para as comidas deles, e comer toda a carne de rena que me resta, bem como beber toda a Koskenkorva, para evitar que desapareçam misteriosamente... Tendo em conta que amanhã e domingo pego ao trabalho às 6 da manhã, pois temos o hotel cheíssimo com o concerto dos U2 aqui em Helsinki, vai ser penoso ter que tratar de tudo isto.

O programa after-work para os próximos dias irá incluir um retorno à Suomenlinna, uma visita a Korkeasaari, a ilha-zoo de Helsinki, e uma ida gratuita ao cinema, com bilhetes e pipocas à pála, graças aos vales oferecidos pelo hotel.

Para terminar, deixo uma questão aberta aos meus leitores: gostariam de adquirir um livro (físico) sobre a minha viagem por aqui, com histórias e imagens inéditas? Não será apenas uma impressão deste blog, terá um conteúdo diferente, apesar de algumas situações descritas figurarem no livro.

Deixem o vosso feedback acerca disto!

Sunday, 8 August 2010

Chapter XXI - Eesti: Tallinn & Käsmus

Após dormir 13h, já me sinto em condições para escrever o relato da viagem à Estónia. Se bem que as costas ainda estão doridas e as olheiras ainda não desapareceram, mas paciência.

Sexta feira, dia 6, sai de casa pela manhã, com destino a Katajanokka, o terminal dos ferries da Viking Line. O dia começou bem: assim que chego ao comboio em Leppävaara, o dito cujo avariou e demorei mais 15min a chegar a Helsinki... felizmente que o atraso não afectou o passeio, mas por momentos ainda imaginei que não iria chegar a tempo ao navio.

Cheguei ao terminal e não conseguia dar dois passos sem esbarrar em grupos de pessoas que andavam por lá de um lado pró outro. Fiz o check-in, comi um delicioso donut e quando foi hora, lá entrei para o ferry. Acho que foi a primeira vez que naveguei a sério, só me lembro de ter andado de cacilheiro e no barco que faz a ligação Peniche-Berlengas.

O navio em si era um centro comercial flutuante. Tem 3 decks interiores para o transporte de veículos, 1 deck com cabines para passageiros pernoitarem em viagens maiores, 1 deck com uma loja tax-free onde predominam as bebidas alcoólicas e os perfumes e 3 decks abertos repletos de bares, cafés e restaurantes de vários géneros.

Atravessando o Báltico.

A viagem dura 2.30h e é bastante agradável, pelo menos para mim que gosto imenso do mar. O navio é tão grande que não se sente a ondulação nem o movimento. Dei umas voltinhas pelo navio, comi um hamburger de tamanho épico e um Forest Noir que me soube pela vida, comprei um chocolatinho na loja tax-free, tirei umas fotos e entretanto cheguei a Tallinn.


O Forest Noir de 3.50€ a bordo do navio

Eram 14h quando o navio aportou. Assim que sai do terminal e comecei a caminhar para a Old Town, fui repetidamente abordado por distribuidores de panfletos de tudo e mais alguma coisa. Uma das moças que me espetou com um panfleto na fuça e que eu não aceitei disse que era de um strip club, coisa que mais tarde me viria a arrepender.

Chegando à Old Town, foi como entrar numa máquina do tempo e regressar ao séc. XV. O centro histórico de Tallinn está muito bem conservado e limpo, cheio de pequenos museus de tudo e mais alguma coisa, restaurantes de temática medieval, pequenas galerias de arte e muitos locais a vender souvenirs em trajes tradicionais. Captava bem o espírito da cidade que foi uma das principais pertencentes à antiga Hansa, que para quem não sabe, era uma coligação económica medieval que abrangia as regiões germânicas até à cintura de países do Báltico.


Uma das ruas da Old Town


Uma secção da muralha com um pequeno museu no interior que estupidamente não cheguei a visitar



Antigo edifício da guilda hanseática, à noite


Um pouco limitado pelo tempo, só visitei o pequeno Museu de História Natural da Estónia, onde destaco os fósseis de mamutes que outrora andaram por aqui. Vi uma montra com uma performance steampunk muito engraçada, passei pelo Museu da Marioneta e um antiquário que vendia armas e equipamentos autênticos da 2ªGuerra Mundial. Gostei imenso dos capacetes soviéticos, aliados e nazis, que custavam 2000eek, cerca de 120€, mas o antipático dono da loja não me deixou fotografar. Tentei procurar algum museu de antropologia, mas não encontrei.

Reconstrução parcial de um mamute no Museu de História Nacional

O antiquário que vendia memorabilia militar

Tinha que descobrir onde ficava a National Library com alguma urgência, pois sabia que ainda era longe do sitio onde estava e precisava de lá estar às 17h, hora a que iria apanhar o autocarro para a aldeia de Käsmus, para o Viru Folk. Quem tem boca vai a Tallinn, e entre velhotas que não falavam inglês, locais que não sabiam ou que não queriam falar comigo, punks que não sabiam mas que me auxiliaram com um mapa e gente que me perguntava se eu era british, lá dei com a biblioteca. Cheguei lá eram 16h, e tirando uma igreja mesmo em frente, não haviam muito que ver naquele quarteirão. Como estava preocupado com o autocarro, acabei por abancar lá a descansar os pés e esperar... esperar... 17h... esperar... 17.30h... esperar... e finalmente lá veio o autocarro, pelas 17.50h, para alívio meu e do pessoal que foi chegando. O bilhete ida e volta custou 100eek, cerca de 6.50€ por 90kms para lá e mais 90 para cá.


Biblioteca Nacional da Estónia.

A viagem demorou duas horas, em parte porque os primeiros 20-40kms de autoestrada à saída de Tallinn estão em obras e era uma enchente de veículos brutal. Dava vontade de sair do autocarro e ir a pé, aquilo era mesmo muito lento... Devagar se vai ao longe, e lá chegámos a Käsmus.

É uma aldeia muito pequena na costa do Báltico, com cerca de 20 habitantes permanentes e uns 50 que têm lá casa de férias. Praticamente todas as casas tinham uma barraquinha de comes e bebes no quintal, exploradas pelos donos da casa e com preços muito convidativos; bem como diversas barraquinhas de artesanato, roupas, petiscos, conservas e afins espalhadas por todo o lado em virtude do festival, tudo pequenos negócios de familia e com preços muito baixos. Existia ainda um serviço de "taxi" numa espécie de riquexó puxado por bicicleta para mais fácil mobilidade entre as zonas do festival, destinado a grávidas, deficientes físicos ou pessoas mais velhas que tivessem problemas a caminhar. Uma óptima iniciativa, a meu ver.

O Báltico visto de Käsmus


A estrada que percorre a vila com as barraquinhas de artesanato



O recinto do festival

Comprei o bilhete para ver apenas Korpiklaani, dado ter chegado bastante tarde e ser só uma banda a tocar antes deles, custou 225eek. Foi o primeiro festival em que vendiam bilhetes só para se ver uma banda, iniciativa louvável em todos os festivais, mas exequível apenas em sitios pequenos como este. Basicamente o bilhete para uma banda tinha as horas lá registadas e os seguranças deixavam entrar nessa hora, sendo que varriam o recinto quando a banda anterior terminava para o pessoal que só quis ver essa banda sair. Claro que quem tinha a pulseira para todos os dias ou para o dia inteiro podia lá ficar. Tendo em conta que eram 6 pequenos palcos espalhados pela vila, onde tocavam 3 bandas em simultâneo, a coisa funcionava bastante bem e que eu saiba, não houve problemas.

Como o Gordo me tinha incentivado a experimentar os enchidos locais, decidi-me a jantar um prato de salsichas frescas com batatas fritas temperadas com paprika e uma espécie de sauerkrout com tomate e pepino misturado. Estava muito bom, e por 50eek, ainda soube melhor.

As papinhas que o Gordo recomendou

Entretanto conheci a Krista, uma das organizadoras do festival com quem tinha falado por e-mail anteriormente. Fiquei por lá de conversa com ela até poder entrar para Korpiklaani.

O concerto foi muito bom, muito bailarico, uma setlist equilibrada entre todos os albuns, com direito a sessão de joiku e umas músicas de Shaman que adorei ouvir ao vivo. Os membros da banda sempre muito simpáticos e já um bocadinho bebedos, com quem tive oportunidade de conviver no final do concerto. E era o aniversário do baixista.

Após Korpiklaani, cansado do bailarico e quase sem voz de cantar, encontrei-me novamente com a Krista e ficámos de conversa até chegar o autocarro. Deu-me a provar um saboroso licor de ervas lá do sitio, que sabe demasiado bem para uma bebida de 35%, pois não se sente o alcool. Conheci ainda as irmãs dela, e apesar de não darem bem com o meu nome, eram todas muito simpáticas com quem irei manter contacto. Queria ter comprado uma blusa estilo medieval e um pendente com runas mas as lojinhas fecharam durante o concerto e acabei por não trazer nada...



O belo do licor de ervas

Pelas 2h lá me meti no autocarro de regresso a Tallinn, desta vez pontual. Quando lá cheguei, fui procurar o Von Krahl, um bar alternativo que a Krista me tinha recomendado. O plano original até era dar uma volta pela cidade e abancar a dormir lá num cantinho qualquer até de manhã, mas sendo que era sexta feira à noite e a chungaria andava pelas ruas, foi-me dito que era melhor não dormir na rua, senão ainda me davam um enxerto de porrada e ficava sem nada. Novamente às voltas pela Old Town, percebi o aviso que me tinham dado... Num bar por onde passei vi dois gajos à porrada, com direito a atirar mesas e garrafas um ao outro. Um pouco mais à frente vejo um gajo a correr com três malas de gaja na mão, a escugitar à procura de dinheiro. Não, ninguém se meteu comigo, descansem. Lá cheguei ao Von Krahl... mas faltavam 10min para fechar, infelizmente. Fiquei à porta a falar com algum pessoal que por lá estava, incluíndo um gajo que organiza concertos de industrial em Tallinn e em Helsinki, que costuma ir passar férias a Barcelona e está a pensar ir a Lisboa porque tinha ouvido falar do Bairro Alto. Estonians are the ultimate party people, segundo pude confirmar.

Após procurar em vão o tal strip club para passar o resto da noite, desisti e fui para o porto. Apesar de não ser o meu objectivo, o turismo sexual é um ponto forte em Tallinn.

Regressei ao terminal do ferry, que ainda estava fechado. Deitei-me lá num banco a ver se dormia, mas os fucking mosquitos e as barulhentas gaivotas não deixaram. O terminal abriu às 6h e o café às 7h. Fiz o check in e abanquei no café, onde comi quatro deliciosos pirukas (pastéis) de carne que custavam 30cent cada, e um chocolate quente. Foi a primeira vez desde que aqui cheguei que gastei menos de 5€ numa refeição, e esta soube-me pela vida.

Novamente a bordo do ferry, fui para o deck superior deitar-me num banco, onde ainda dormitei uma horinha... até acordar com chuva, vento e frio. Não foi nenhuma tempestade, mas foi o suficiente para quase toda a gente abandonar o deck e se refugiar no interior do navio.

Cheguei a Helsinki às 10.30h e percebi o porquê da enchente do dia anterior. É que a hora a que este navio chega coincide com a hora do check-in para o que vai para Tallinn, então o terminal enche de gente que chega e gente que vai.

Confirmo ainda que quase toda a gente vai de malas vazias e as trás cheias de cerveja, vodka e licores comprados a bordo do navio. Esta gente bebe que nem camelos...

Resumindo, gostei imenso da Estónia e tenho pena de não ter tido mais tempo para lá estar. Se puder ainda volto lá antes de ir embora, apesar de ser complicado tanto por tempo como por dinheiro. Gostava de poder explorar melhor a Old Town e sobretudo de ir aos restaurantes medievais. Diverti-me imenso por lá, conheci gente muito simpática e hospitaleira, e aprendi algumas coisas sobre o local.

Como todos os países de leste, está patente um pequeno ódio contra os russos, que ainda hoje em dia continuam com ideias imperialistas. No entanto, a população é geralmente muito tolerante para com gentes de outros países. Mesmo a malta mais nova com quem falei me disse que apesar de não gostarem dos russos, muitos têm grandes amigos russos, tanto que vivem na Estónia ou na própria Rússia.

No entanto, tal como outros países de leste, as áreas mais importantes da sociedade funcionam a 100% e a baixo ou nenhum custo para a população: saúde, educação, transportes públicos e comunicações.

Estes sinais encontravam-se por toda a cidade, a explicar como aceder gratuitamente à rede wireless em Tallinn.

A Estónia é um país surpreendemente avançado em termos de tecnologias. Plano Tecnológico Nacional, metam-no no cú... Na Estónia existe uma rede wireless pública acessível em qualquer ponto do país, até mesmo no meio do mato. Também segundo me disseram, o Estado publica avisos à população via SMS, conceito que ainda não tinha ouvido em lado nenhum. Em Portugal seria uma óptima maneira de, por exemplo, incentivar as pessoas a irem votar.


Goodbye Tallinn!







PS: Acho que as eslavas conseguem destronar as finlandesas em termos de beleza... para onde olhava, só me babava!

Friday, 16 July 2010

Chapter XIV - Kauppatori

Mais um passeio muito agradável por Helsinki, tirando os 35º que se fizeram sentir. Desta vez fui ao Kauppatori, um mercado de tudo e mais alguma coisa, com destaque para os alimentos provenientes de pequenos produtores finlandeses. Está muito virado para os turistas, com imensas barraquinhas de souvenirs, mas os locais também andam muito por lá. Tirei umas quantas fotos para facilitar a reportagem, portanto façam favor de me seguir:


Após sair do trabalho, meti-me no eléctrico e fui até ao Kamppi, o maior centro comercial de Helsinki. Fui só ver as vistas, nada do outro mundo.

Tornei a apanhar outro eléctrico, seguindo até ao Kauppatori pela Aleksanterinkatu, a Rua Augusta de Helsinki, recheada de lojas, restaurantes de vários géneros, centros comerciais e muita, muita gente.


E chegando ao fundo da rua, temos a Senaatintori, a praça do Senado, um dos locais emblemáticos de Helsinki onde já tinha estado mas não tinha fotografado.

Chegando ao Kauppatori, tinhamos várias barraquinhas:


Artesanato em madeira e corno de rena...


Mantas, cachecois e outros agasalhos...



Peles de rena, raposa e arminho...



Frutas e legumes muito saborosos; as raparigas que estavam a tomar conta das barraquinhas eram muito simpáticas e davam sempre a provar antes de se comprar algo. Além de serem BEM mais baratos que nos supermercados, uma volta bem dada ao mercado dá pra se encher a barriga à pála eheh.


Terminando a volta ao mercado, entrei no Kauppatori Haali, que é a continuação dentro de um edifício construido em 1889. Aqui encontramos vários tipos de produtos...


Logo à entrada tinhamos estas coisinhas lindas a chamar por nós. Não resisti a gastar 2.50€ num bolinho cremoso de frutos silvestres, os segundos da direita da parte de baixo. It tasted just like heaven ^^ se não fossem tão caros tinha provado um de cada... but I'll be back!


Imensos tipos de peixe fumado...



E ainda mais tipos de queijo...


Ao ir embora ainda tirei esta fotografia às docas de Helsinki, banhadas pelo Báltico. Ao fundo vê-se a ilha Suomenlinna, à qual voltarei brevemente.


E no final trouxe isto tudo para casa. Kossu, carne de rena congelada que me custou 35€, morangos e mirtilhos cá da terra que são extremamente docinhos, ácidos e bons; e uma embalagem de carne de rena fumada.


Amanhã vou elaborar sobre a comida típica daqui, com o que já provei, o que gostei, o que não gostei e o mais importante de tudo: o que já aprendi a fazer.

Sunday, 11 July 2010

Chapter XII - Bodominjärvi & DIY

Hoje fui visitar o Bodom. É um lago situado perto de Espoo que ficou famoso à pála de uns homicídios misteriosos nos anos 60, e que deu origem à banda Children of Bodom. Após quase 2h a trocar de autocarros, lá cheguei ao sitio... No entanto, desiludiu-me um pouco. Tinha tanta gente que parecia uma praia no Algarve... lá procurei um cantinho mais sossegado pra ir ao banho, mas mesmo assim apareceram lá uns pescadores e depois mais uns grupos de pessoal. E a água apesar de mais quente que a do Meiko, era um pouco lamacenta. Com água pelos joelhos não conseguia ver os meus pés no fundo! Ah well... uns mergulhos, umas voltinhas pela floresta em guerra constante com os mosquitos e lá voltei para casa. Ainda andei à procura de umas pedras com inscrições pré-históricas que supostamente lá existem, mas não encontrei nada.

Lake Bodom

Mudando de assunto, sabem porque é que a generalidade dos nórdicos deixa crescer o cabelo? A resposta é muito simples... uma ida ao barbeiro aqui custa 25-30€, segundo me disseram. Eu que gosto tanto de andar de cabelo rapado... No entanto, arranjei maneira de poupar 25€ todos os meses. Vi uma máquina a 15€ no supermercado e trouxe a dita cuja comigo. Lá rapei o cabelo sossegado, e após várias passagens ficou tudo decente. É o espirito DIY no seu melhor! E agora posso começar eu a cobrar 25€ aos finlandeses para cortarem o cabelo eheh!

Monday, 5 July 2010

Chapter X - Tuska!

O maior festival de metal da Finlândia, e um dos maiores do mundo, tomou lugar este fim de semana no Kaisaniemi (parque central), Helsinki. Com os bilhetes esgotadíssimos há duas semanas, e sem saber que era este fim de semana, não tava com grandes ideias de ir... mas a Força esteve comigo e consegui bilhete para hoje - e a metade do preço! Paljon kiitoksia lipusta Vera!

Vamos por partes, comecemos pelo recinto. Nada a ver com os festivais portugueses a que estou habituado. Na entrada fazem revista a materiais perigosos e garrafas de vidro ou de bebidas alcoolicas. Sumos, águas, etc, podem entrar à vontade desde que em garrafa de plástico/tetrapack selada. Isto para evitar que os menores consumam álcool lá dentro. E quando digo que evita, evitam mesmo, pois existe uma área reservada a maiores de 18 e onde não entram nem saem garrafas onde estão as barraquinhas da cerveja e das restantes bebidas. Um sistema interessante, mas eficaz. Até porque a maioria dos bêbados ficava lá dentro a perder os concertos em vez de vir chatear o pessoal (tirando um gajo durante o concerto de Nile que só faltava começar a levar porrada daquela gente toda e dos seguranças...).

Além das habituais barraquinhas de merchandising de bandas e lojas locais, achei interessante a presença de um pequeno flea market, onde sobressaiam as roupas militares e cybergó - óculos de "natação" apenas a 15€, essas coisas costumam ser exorbitantemente caras, segundo consta!
A comida era cara comó caralho, apesar dos preços não fugirem muito às lojas de fastfood daqui. 5-7€ um prato (kebab com arroz, tex mex, cachorros quentes, batatas recheadas, makkara (salsichas cá da terra) e uns stir-fries vegetarianos. Garrafas de água de meio litro a 2€ e de sumo a 2,50€... o bom é que havia um posto com torneiras de água (fresca!) onde o pessoal podia beber e encher à vontade. O preço da cerveja não sei, não cheguei a ir a essa parte do recinto porque não queria ficar sem a garrafa de água que me custou 2€...

Os palcos estavam bem organizados e o som não era mau de todo, para este tipo de concertos. Tinham dois palcos secundários cobertos em pontas opostas do recinto, a ladear o palco principal. Para terem ideia da coisa, os palcos secundários eram do tamanho do palco principal do SWR... o main stage era enorme, como poderão ver nas fotos. Pontualíssimos ao segundo, como tudo aqui pelas terras nórdicas, até se estranha!

Pontos maus: muito pó, à la Vilar de Mouros quase... E era proibido fazer crowd surfing ou sequer estar encavalitado em cima de alguém! Bem que me fodi, que sou baixinho e tinha que me meter em bicos de pés para conseguir ver Cannibal Corpse em condições...

Vista geral do festival durante WASP

Quanto às bandas...

Finntroll - bailarico do caraças, do principio ao fim! Já é a terceira vez que os vejo, mas sinceramente não me canso deste tipo de bandas. Houve comboio, chicken dance, outras danças estranhas, wall of death, circle pit...

WASP - não liguei muito, teve uns solos girinhos e tal mas de resto... fui foder 7€ no kebab que até me soube bem, estava bem condimentado. Nesta onda preferia ter visto Twisted Sister ^^

Warmen - banda local de speed metal progressivo, com bastante pinta. Não gostei muito da vocalista que andou por lá a cantar duas músicas, mas o lead singer dava-lhe bem. Surpresa surpresa foi o Alexi Laiho dos Children of Bodom ter aparecido para cantar com eles a última música! E maior surpresa foi ele estar vestido à hippie!

Cannibal Corpse - Porradaria do principio ao fim, como seria de esperar! Não vi tudo, pois perto do final fui pro palco secundário esperar por Nile, mas destaco a I will kill you e a Devoured by vermin. Presumo que tenham acabado com a Hammer smashed face, mas não tenho a certeza.

Nile - *vénia* a minha principal razão de ter ido ao Tuska, que apesar de tudo deram um show do caraças. Velocidade, técnica, melodia e brutalidade Q.B. do principio ao fim. No entanto pecam em dois pontos: muito parados em palco (coisa que até compreendo tendo em conta que são 3 agarrados à guitarra e a cantar ao mesmo tempo e um baterista que tá ali a malhar que nem uma besta atrás de meia tonelada de pratos e timbalões) e a setlist... Focaram muito do novo album, até ai tudo bem, mas deixaram de fora uns musts... Unas, Cast down the heretic, Sacrifice unto Sebek, Execreation text... Quando os vi no Caos Emergente 2008 tinham uma melhor setlist, se bem que aqui tocaram mais que uma hora e eram headliners.

Megadentes - vão-se foder, não gosto daquilo e vim embora ^^

Não comentei outras bandas porque não as vi. Sei que uma era industrial, que tocou ao mesmo tempo que Fintrolhas, e outra era tipo metalcore. E aqui era tipo Wacken, o pessoal fazia as wall of deaths sem precisarem de indicações das bandas.. quando lhes apetecia, abriam dum lado e doutro, meio a meio duma música, e toma lá disto!

Afterparty pra nós não houve. Ainda se falou em ir a uns bares, até porque com o bilhete do concerto tinhamos entrada à pála, mas além do cansaço do Marko que já lá tava desde sexta, chegamos à conclusão que a maioria do pessoal que ali estava ia para os bares e era demasiada gente. Vim para a minha casinha descansar, aproveitar que amanhã estou de folga, e ele ainda lá ficou com um amigo a ver Megadentes. De notar que os concertos começaram às 14.45h e terminaram às 21.30h. Assim dá pras bandas tocarem e o pessoal apanhar transportes para casa à vontade, e quem quiser vais pras after parties.


Wednesday, 30 June 2010

Chapter VI - Kaisamiene & Central Helsinki

Hoje após o trabalho fui andar randomly pelas ruas de Helsinki. Comecei pelo parque central, doravante Kaisamiene. Um espaço verde com uns quantos km quadrados e que rodeia um pequeno lago: Töölölahti. Aqui ficam as fotos dos ditos cujos, apreciem.




Duas finlandesas a apanhar sol... hoje estava menos gente, o sol está mais escondido.



Vista geral do lago Töölö

E subindo esta pequena colina...


... chegamos a um pseudo-miradouro, onde além de se ver bem o lago, parte da estação dos comboios e o horizonte da cidade, podemos ver também outras duas finlandesas a descansar.



Este poste estava lá junto de um dos caminhos do parque. Não consegui fotografar o lado suomi pois estava no oposto ao inglês, então fica a mensagem em sueco e inglês.


Mais umas fotos do lago que ainda não experimentei, talvez esta semana.


Uma ponte sobre um "rio" de flores... achei original. Os arquitectos paisagistas helsinkianos têm bom gosto :P


E agora mudando de uma Helsinki verdinha e calma, passemos à Helsinki metropolitana, perto da hora de ponta. De notar que aqui não somos atropelados por carros mas sim por bicicletas, em duas horas ia levando com 3 em cima... mas isso foi culpa minha, que ia na faixa das bicicletas em vez de ir na dos peões (sim, aqui está tudo dividido).


A vigiar o Kaisamiene temos o Parlamento Finlandês. Aquilo estava em obras, quando puder tiro uma foto melhorzinha.



E ao lado do sitio onde fotografei o Parlamento, também junto ao parque, temos a Finlandia Talo, uma galeria/museu. Hei-de ir lá dentro someday.



Aqui sim, já parece uma cidade. Rebanhadas de gente... Foto da entrada de um dos vários centros comerciais, o Forum.



E aqui temos o centro comercial nº2, Stockmann. Estão a ver o El Corte Inglés de Lisboa? As secções divididas pelos diferentes pisos, as marcas todas agrupadas, onde podem encontrar tudo e mais alguma coisa? Agora imaginem uma coisa com preços menos elitistas que o ECI e com o dobro do tamanho. Possivelmente (não tenho factos para o provar) a maior cadeia de supermercados na Finlândia e penso que Suécia.


Olhem quem eu encontrei na secção de Lego... em cima de uma montra a guardar os novos sets Star Wars deste Verão ^^ O Manel hoje ficou em casa a descansar, senão tinha tirado uma foto com o amigo Captain Rex.



Um grupo de estudantes a tocar na rua para fazerem uns trocos. Não cheguei a ouvir grande coisa pois já estavam a arrumar quando os vi...



Rautatientori - Estação de comboios central de Helsinki. Foi precisamente nesta praça que andei à procura do Marko durante quase uma hora no primeiro dia. Tenho que tirar melhores fotos, com gente a passar dum lado pro outro tinha que ser rápido a dar ao dedo e daí algumas ficaram meio desfocadas.

E por hoje terminamos a tour virtual por Helsinki. Ainda há MUITO mais para descobrir, muita foto por tirar e muitas voltas por dar.

Saturday, 26 June 2010

Chapter II - Forests and lakes

Hoje foi dia de passeio. Garrafa de água e toalha de banho pra dentro da mochila e lá fui com o Marko andar pela floresta até a um lago. Foram uns 3kms a andar pra lá e depois pra cá, mas valeu a pena. Sentia falta de estar dentro de água, e apesar de fria, a do lago soube-me muito bem. Já só faltam 999 dos supostos 1000 lagos que a Finlândia tem, hei-de testar mais alguns enquanto cá estiver. No regresso passamos por uma pizzaria/kebab house para jantar.

Aqui ficam algumas fotos para quem não tiver visto no Facebook:

Meikojärvi, ou Lago Meiko para os tugas acérrimos.

Jesus andava sobre a água? Pfff, que dificuldade... oh pra mim a fazer a mesma coisa!

Águinha translúcida, fria que nem cornos mas suportável, limpa e cheia de calhaus escorregadios.
Um pequeno riacho a caminho do lago.



A igreja desta última foto é a de Kirkkonummi, que deu o nome à vila onde estou actualmente, em casa do Marko.

Continuo a assustar-me com a lingua suomi, mas já consigo dizer uma ou outra coisa acertadamente. O facto de terem quase tudo escrito tanto em suomi como em sueco ajuda-me a compreender algumas coisas, mesmo não percebendo muito de sueco.

E pior ainda... os terríveis mosquitos! Pelos vistos há um provérbio suomi que diz "Onde não bate o sol, os mosquitos reinam." e isto é tão verdade... Da próxima vez que for pró meio do mato levo vinagre comigo.

Outra coisa que me assusta são os preços das coisas... ainda não fui ao supermercado, mas tenho ideia que vou ter um ataque quando lá for comprar comida e afins.

Segunda feira começo o estágio e vou-me mudar para Leppävaara, Espoo, onde ficarei a viver até setembro. Pelos vistos vou ter a residência toda só pra mim e vou experimentar a sauna pela primeira vez na minha vida. Depois conto como foi ;)